Mulher de fases

Foto por Alex Andrews em Pexels.com

Queridos Leitores,

Não esperem que os posts assinados por mim apresentem números e porcentagens do Fundo Sra AF. Essa parte fica por conta do maridão, conhecido como Sr. D. Desde o início da nossa história, o que eu ganho ele multiplica.

Como já colocamos no post de abertura do blog (https://dividendoseaguafresca.com/2021/04/03/como-tudo-comecou/), antes do serviço público, Sr. D já tinha um histórico de poupador, já eu fazia malabarismo para fechar as contas no final do mês. O recebimento do meu primeiro salário como servidora federal me fez imaginar que eu estava RIIIIIIIIICA!!! Doce ilusão…

Com os primeiros proventos, eu quis fazer e ter tudo o que até então eu não podia. Foram muitas as situações em que o Sr. D freava os meus desejos consumistas. Hoje a gente dá risadas das vezes que íamos ao shopping e eu ficava louca por uma blusinha ou por um sapato e lá vinha o Sr. D com a pergunta primordial: “Mas você precisa mesmo disso, Sra. AF?” Eu bufava de raiva… Foram várias discussões sobre o tal do PRECISAR.

Naquela época, eu pensava que a minha vida financeira já estava garantida. Era só eu guardar de 10% a 15% do salário na poupança para o futuro e viver muito bem o presente com o restante. Mas o Sr. D insistia em me ensinar que não era bem assim. Ele foi e ainda é meu melhor professor de Educação Financeira.

Já para o Sr. D, era necessário guardar de 60% a 70% dos nossos salários. Segundo ele, tínhamos que viver uns dois degraus abaixo do que os nossos atuais salários permitiam. Isso me deixava chateada…

Hoje, entendemos que éramos dois extremos: eu querendo viver intensamente a alegria do presente; ele pensando exageradamente no futuro.

Mas o dinheiro sempre foi NOSSO, então era preciso um consenso.

Gente, espero que eu não esteja pintando a minha imagem como a de uma irresponsável gastadeira, ok? Eu era controlada. Acreditem! Não tanto o bastante para a régua do Sr. D, mas eu tinha pavor de ter de passar apertos financeiros novamente. Já bastava os da época em que eu vivia com os meus pais.

Até aqui, falei um pouco da primeira fase da Sra. AF. Uma jovem sonhadora que que amava, por exemplo, ir ao mercado e fazer aquela compra de mês gigante, com direito a muitas guloseimas.

Mas o tempo passa e a gente amadurece…

Minha segunda fase coincide com a chegada do nosso filho. Período em que o Sr. D, contagiado pela felicidade de se tornar pai, passou a ser mais mão aberta e a reclamar menos dos meus gastos.

Nesse momento, eu já concordava mais com o Sr. D sobre a necessidade de investirmos de maneira contínua e diversificada. Sim, a poupança já não era mais vista por mim como investimento. Tesouro Direto era a bola da vez!

Ao mesmo tempo, eu queria deixar a nossa casa mais bonita e aconchegante para a chegada do nosso bebê. Os gastos com blusinhas deram lugar aos gastos com móveis de melhor qualidade e com itens de decoração.

Hoje, posso dizer que estou numa terceira fase. A casa já está com a nossa cara. O desejo pelas roupas e sapatos da estação já não mexem tanto com a minha cabeça. No campo das finanças, estou participando mais. Em síntese, cuido do nosso presente e ele cuida do nosso futuro.

Decidimos que eu ficaria responsável em administrar a verba destinada às contas da casa e aos nossos projetos de curto prazo, como por exemplo as viagens de férias e a troca de carro.

“Por que não fizemos isso antes?” é a pergunta que nos fazemos sempre que estamos conversando sobre as finanças. Fazer as contas fechar é difícil e hoje entendo os motivos pelos quais o Sr. D sempre perguntava se realmente eu precisava/nós precisávamos de determinada coisa.

Aprendi que deixar o dinheiro apenas na poupança não é garantia de uma aposentadoria tranquila. Além disso, após 10 anos de serviço público, não vejo a hora de largar tudo e ir aproveitar a vida FIRE com o Sr. D.

O jogo virou! Hoje sou eu quem falo para o Sr. D que temos que guardar e investir cada vez mais para chegarmos mais rápido ao nosso objetivo FIRE.

Amadureci, mas não me arrependo da trajetória até aqui. Não fiz nada que destruísse o nosso plano de independência financeira. Estamos inclusive comemorando o alcance da nossa meta financeira para os primeiros 10 anos de casados.

Agora que a casa está montada e os gastos com blusinhas diminuíram, os planos mudaram. Só quero saber de planejar passeios e pequenas viagens com a família.

Enfim, quero ser FIRE, mas quero apreciar a trajetória até o dia D chegar.

E vocês, tiveram muitas fases na caminhada em busca da vida FIRE?

Até breve!
Sra. AF

9 comentários em “Mulher de fases

    1. Olá, muriloone!

      Nós que agradecemos por você acompanhar a nossa trajetória aqui no blog.

      “Você precisa disso?” = DRs nos relacionamentos. Hahaha

      Não pegue muito no pé da namorada, ok?

      Abraço,
      Sra. AF

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  1. Olá Sra. AF

    Também me identifico com o Sr. D, sempre monitorando as vida financeira (receitas, despesas e investimentos) e cutucando a Sra. VAR que ainda não compreende essa ideia de FIRE.

    Tenho sido paciente, mantenho ela informada das despesas e informo da qualidade dos gastos e como estamos no horizonte financeiro. Sra. VAR já gasta menos com supérfluos e isso tem ajudado a melhorar os investimentos. Mesmo com chegada do nosso amado filho, controlamos bem os gastos sem deixar de lado o conforto.

    Ainda tenho esperança de mudar mais uma fase da Sra. VAR.

    Abraços,

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    1. Olá, VAR!

      Pelo que você contou, a Sra. VAR está no caminho. Acredite no processo!
      Conversem mais sobre o assunto. Depois que entendi o conceito FIRE, a chave começou a virar.
      Creio que o ponto central para o sucesso seja justamente curtir cada fase da trajetória em busca da vida FIRE.

      Sucesso nos voos de vocês!

      Sra. AF

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  2. Bom dia Sra AF! Fico feliz que o Sr. D conseguiu plantar a sementinha do FIRE em você e que hoje você já anda “com os próprios pés” na filosofia. Pode não parecer, mas é uma arte conseguir passar esses valores para o cônjuge sem parecer egoísta, intransigente, etc. Eu e minha esposa tivemos um caminho parecido com o de vocês e estamos aguardando a melhora da pandemia para tirar o plano do primeiro filho da gaveta… Como foram os gastos com o filho nos primeiros meses/anos? Houve redução considerável do montante reservado para investimentos? Isso vem me preocupando um pouco pois somos controlados com nossos gastos mas filho pode ser um “ponto fraco” de gastos pra gente… Grande abraço!

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    1. Boa noite, Nunes!

      Obrigada por acompanhar o blog!

      Não posso dizer que já caminho por conta própria, pois o propósito FIRE demanda muitos estudos, mas aprendo muito com o Sr. D. Ele realmente conseguiu “plantar a sementinha” FIRE no meu coração. Gosto de participar das decisões, ver as planilhas de fechamento dos meses, dar os meus pitacos.

      Sobre o filho, suas perguntas valem um post! Gostei muito delas!

      Em poucas palavras, porque o post vai sair, a chegada do nosso filho foi o momento mais feliz das nossas vidas! Ainda na gravidez, escutei que “o bebê vem com o pão debaixo do braço”, ou seja, tudo se ajeita. A vida financeira dá uma chacoalhada, não posso mentir. Principalmente quando se faz a opção pela escola particular. Os gastos aumentaram, sim, mas posso dizer que o nosso filho, sem saber, nos dá coragem para seguirmos em frente com o plano FIRE.

      Aguarde o post!

      Um abraço!

      Sra. AF

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